
Correr em Bariloche : Uma Aventura pelas Montanhas da Patagônia Argentina
Correr em Bariloche: Uma Aventura pelas Montanhas da Patagônia Argentina
Escrito por
Gabriel e Dominique
Casal brasileiro morando de motorhome na Patagônia argentina há 3 anos. Já vivemos em El Calafate, Ushuaia, San Martin de los Andes e Bariloche. Dominique é ultramaratonista de montanha e resgatista certificada, com mais de 3 Patagonia Runs no currículo. Gabriel é apaixonado por trekking e alta montanha. E o Pachê, nosso pug pretinho de 14 anos, viaja com a gente em cada aventura.
⚡ Resposta rápida
Correr em Bariloche é fazer trail running cercada de lago e montanha, com trilhas que vão de 13 km tranquilos à beira do Nahuel Huapi até os 24 km reais do Refúgio Frei. A melhor janela é o verão, de dezembro a fevereiro, quando as máximas ficam em torno de 20 °C e as trilhas de altitude já estão livres de neve.
- Verão (dez a fev): máximas de 20 °C a 23 °C, dias com mais de 15 horas de luz
- Cerro Catedral, base de várias trilhas, fica a 19 km do centro
- Refúgio Frei: 24 km ida e volta, com o trecho do km 6 ao 10 sendo o mais duro
Introdução: O Chamado da Patagônia para as Corredoras de Montanha

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No km 7 do Refúgio Frei, a Domi teve que parar. Não de cansaço, de altitude. Era 8h da manhã, o ar estava a 10 °C, e do ponto onde ela parou dava pra ver o Cerro Catedral, o Lago Nahuel Huapi e a cidade de Bariloche 900 metros abaixo. Correr em Bariloche é isso: altitude, pedra solta e uma vista que tira o fôlego de um jeito que treinamento nenhum prepara. A cidade fica a 770 metros de altitude, as trilhas saem da floresta nativa e sobem rápido para 1.700 metros nos refúgios, e o Lago Nahuel Huapi de 100 km de comprimento aparece em quase todos os mirantes.
A Domi corre essas montanhas faz tempo. Ela é ultramaratonista, resgatista de montanha certificada e já largou na Patagonia Run mais de três vezes, que é a corrida de trail mais conhecida da região. Quando a gente fala de correr em Bariloche, não é teoria de quem viu foto bonita. É de quem já subiu o Refúgio Frei umas vinte vezes, já correu de madrugada na Bahía López e já voltou de trilha com a alma chegando depois.
E olha, a primeira coisa que a gente fala pra quem chega achando que vai ser um treininho de praça: aqui a montanha manda. O clima vira em vinte minutos. A trilha que parecia tranquila te cobra do km 6 em diante. Mas é que é exatamente isso que faz dessa região um dos melhores lugares do mundo pra quem ama correr na natureza de verdade. Pois é, faz parte da aventura.
“Aqui a corrida não é sobre tempo no relógio. É sobre chegar no mirante a 1.700 metros e ficar sem palavra na frente da vista.”
Esse guia é a Domi conversando com você que pensa em vir correr na Patagônia argentina. A gente leva grupos de mulheres pra correr aqui justamente porque sabe onde estão as trilhas certas, onde o vento bate e onde dá pra confiar. Mas mesmo que você venha por conta, dá pra fazer bonito. Bora lá que vamos te mostrar tudo.
Por Que Bariloche é o Paraíso do Trail Run no Verão?


Bariloche é paraíso do trail run porque concentra, num raio de 25 km do centro, trilhas para todos os níveis: de percursos planos de 13 km à beira do lago até subidas de 900 metros de desnível para refúgios de montanha. O verão deixa esse cenário acessível, com trilhas sem neve, temperatura amena e luz natural das 6h às 21h.
O que faz a diferença aqui é a variedade dentro da mesma cidade. Num dia você corre o Circuito Chico, que tem quase 27 km de estrada com mirante de lago a cada curva, dá pra correr só um pedaço e voltar. No outro você encara o Cerro López, com 9 a 10 km de subida e aquela vista que os argentinos juram ser a melhor da região. A Domi achou o Mirador do Cerro Capricho correndo, meio sem querer, e voltou dizendo que era a vista mais linda do dia.
Correr em Bariloche também é correr em altitude de verdade. O centro está a 770 metros, mas as trilhas sobem rápido: o Refúgio Frei está perto de 1.700 metros e o entorno do Cerro Catedral passa dos 2.000. Pra quem treina no Brasil, no nível do mar, isso muda o jogo. A respiração pesa mais, o ritmo cai, e a montanha te ensina humildade no primeiro quilômetro de subida.
Se é seu primeiro dia em altitude, não comece pela trilha mais dura. Faça a Bahía López (13 km, terreno mais leve) ou um trecho do Circuito Chico pra o corpo entender o ar mais rarefeito antes de encarar o Frei ou o López.
E tem o detalhe que ninguém fala: a fauna. A Domi já cruzou com pica-pau de cabeça vermelha nas árvores do Cerro López, que o Gabriel apelidou de bosque mágico. Em outras partes da Patagônia ela já correu de manhã num lugar onde à tarde apareceram três pumas, em Torres del Paine. Aqui em Bariloche o risco é bem menor, mas a sensação de correr dentro de um parque vivo é a mesma. Você não está numa pista. Você está na casa dos bichos.
Pois é, a gente bate na tecla: correr em Bariloche no verão é uma das experiências mais completas que uma corredora de montanha pode ter na América do Sul. Lago, floresta, rocha e altitude, tudo de bicicleta ou ônibus de distância do centro.
Quando Ir? A Magia do Verão (Dezembro, Janeiro e Fevereiro)

A melhor época para correr em Bariloche é o verão patagônico, de dezembro a fevereiro. Nesses meses as máximas ficam entre 20 °C e 23 °C, as mínimas em torno de 7 °C a 9 °C, e a neve já saiu das trilhas de altitude. O dia também é longo: o sol nasce antes das 6h e só se põe perto das 21h, sobrando muita luz para treinos compridos.
A gente já passou por Bariloche em todas as estações, inclusive vendo nevar em outubro enquanto tomava chá numa casa de chá com vista pro lago. Pois é, a gente fala com conhecimento de causa: fora do verão, as trilhas altas viram outra coisa. A gente já foi ao Refúgio Frei de raquete de neve, achando que eram 20 km e descobrindo no caminho que eram 24, saindo de fogareiro porque estava sem gás. Lindo demais, mas não é cenário de corrida. É expedição.
Mesmo no auge do verão, a regra de ouro é: a montanha não respeita a previsão. A gente já viu manhã de céu azul virar tarde de vento e chuva fria no mesmo dia. A diferença de temperatura entre o centro a 770 metros e o mirante a 1.700 metros pode passar de 10 °C. Pois é, a Domi nunca sai pra trilha longa sem uma corta-vento na mochila, mesmo que esteja saindo de regata.
Tem uma tabela rápida que a gente usa pra decidir quando vir, dependendo do que você procura:
| Período | Temperatura média (máx/mín) | Trilhas altas | Para quem |
|---|---|---|---|
| Dezembro a fevereiro | 20 a 23 °C / 7 a 9 °C | Livres de neve | Trail running, melhor janela |
| Março a abril (outono) | 14 a 18 °C / 3 a 6 °C | Acessíveis, dias mais curtos | Quem foge da alta temporada |
| Maio a setembro (inverno) | 5 a 9 °C / -2 a 2 °C | Com neve, exigem raquete | Esqui, não corrida |
| Outubro a novembro (primavera) | 15 a 19 °C / 3 a 6 °C | Neve derretendo nas altas | Trilhas baixas e médias |
Se você quer mais detalhe de como o clima muda mês a mês, a gente já escreveu sobre a melhor época para ir para Bariloche e sobre a temperatura em Bariloche ao longo do ano. Vale a leitura antes de fechar as datas, porque correr em Bariloche fora da janela certa muda completamente a viagem.
O Que Levar na Mala para Correr em Bariloche?

A mala da corredora de montanha em Bariloche tem que cobrir três cenários no mesmo dia: sol de 20 °C na largada, vento frio no mirante e a chance real de chuva. O essencial é um tênis de trail com boa aderência, mochila de hidratação de 5 a 10 litros, corta-vento impermeável, segunda pele e camada térmica leve. Roupa de algodão fica em casa.
A Domi monta a mochila de trilha longa sempre pensando no pior cenário, não no melhor. Depois de anos correndo aqui, a lista dela virou quase um ritual. O tênis de trail é inegociável: nas pedras soltas do Cerro López e nas raízes do bosque, tênis de asfalto vira armadilha de tornozelo. A gente usa equipamento The North Face nas trilhas, é a marca que aguenta o vento e a chuva da Patagônia sem dar problema, e ainda dá pra economizar com o cupom de 10% que deixamos pra galera.
Leve sempre 1 litro de água a mais do que acha que vai beber. Em trilhas como o Frei, do km 6 ao 10 não tem onde reabastecer com segurança, e o ar seco da altitude desidrata mais rápido do que no nível do mar.
A lista que a Domi recomenda pra quem vem correr em Bariloche no verão:
- Tênis de trail running com solado agressivo, fundamental nas pedras e raízes. A Domi não abre mão do Vectiv da North Face nas trilhas mais técnicas e diz que o grip nas pedras do López salva o tornozelo toda hora.
- Mochila de hidratação de 5 a 10 litros, com flask ou bolsa de 1,5 a 2 litros
- Corta-vento impermeável que caiba comprimido na mochila, leva mesmo em dia de sol
- Camadas: segunda pele de manga longa, camiseta técnica e uma térmica leve
- Boné ou viseira e óculos de sol, a luz na altitude é forte
- Protetor solar fator alto, o sol patagônico queima mesmo com vento frio
- Luva fina e buff, ocupam nada e salvam no mirante ventado
- Apito e celular carregado, parte das trilhas fica sem sinal
- Lanterna de cabeça se houver chance de voltar no escuro, a gente já voltou do Frei de noite
Esse último item não é exagero. Quando fomos ao Frei achando que era mais curto, voltamos de noite, com a Domi dizendo que a alma ainda estava chegando. A montanha engole o tempo. O que parecia 6 horas vira 8. Pois é, a gente reuniu num e-book tudo que aprendeu de roupa, trilha e logística pra quem quer encarar Bariloche fora do óbvio, sem repetir os perrengues que a gente já pagou na pele.
Trilhas para Correr em Bariloche: do Iniciante ao Avançado
As melhores trilhas para correr em Bariloche são quatro: a Bahía López (13 km, terreno leve e lago escondido), o Circuito Chico (cerca de 27 km de estrada e mirantes), o Cerro López (9 a 10 km com 900 m de desnível) e o Refúgio Frei (24 km ida e volta). Vão do iniciante ao avançado, todas com saída a menos de 25 km do centro.
Vamos por partes, da mais tranquila pra mais puxada, com o que a gente conhece de cada uma na pele.
Bahía López e Circuito Chico (para começar)
A Bahía López tem cerca de 13 km e é o lugar onde a Domi gosta de fazer treino mais solto, com mirantes e um lago escondido no meio do caminho. Fica dentro do Circuito Chico, aquele roteiro clássico de quase 27 km de estrada asfaltada que dá a volta na península, passando pelo Circuito Chico inteiro. Dá pra correr só um trecho, sem se comprometer com a volta completa.
É a melhor porta de entrada pra correr em Bariloche. O terreno é menos técnico, tem onde parar, tem vista de lago o tempo todo. A Domi uma vez correu por aqui depois de uma tempestade e achou tudo “zoneado”, com galho caído por todo lado, mas ainda assim valeu cada quilômetro. No meio do Circuito Chico tem o Bar da Patagônia, onde dá pra comprar uma ficha e tomar algo olhando o Nahuel Huapi depois do treino. Para o salão principal, precisa reserva.
📍 Bahía López no Google Maps | Circuito Chico no Google Maps
Cerro López, o bosque mágico (intermediário)
O Cerro López tem de 9 a 10 km até o refúgio, com cerca de 900 metros de desnível, o que o torna mais íngreme que o Frei na proporção. A subida é constante, dentro de uma floresta que o Gabriel apelidou de bosque mágico por causa dos pica-paus de cabeça vermelha e preta nas árvores. Lá em cima, a vista é considerada pelos argentinos da região a melhor de Bariloche.
O Gabriel adora subir o López pra tomar café no refúgio lá no alto, com uma tostada de queijo. Ele diz que melhor coisa que tem é comer um pãozinho quando você está com fome, e no topo do López isso é lei. Pra correr, é uma trilha que cobra: o desnível concentrado em 9 km faz a subida ser puxada e a descida exigir muita atenção nas pedras. Não é trilha de primeiro dia.
📍 Refugio López no Google Maps
Refúgio Frei, onde divide menino de homem (avançado)
O Refúgio Frei é a trilha mais séria dessa lista: 10 km de ida e 10 de volta no papel, que na prática viram 24 km. A saída é do estacionamento do Cerro Catedral, a 19 km do centro de Bariloche. Os primeiros 6 km são tranquilos, com pouco desnível. Do km 6 ao 10 é o que a gente chama de onde divide menino de homem: sobe de verdade, fica técnico e cobra perna.
A Domi já subiu o Frei umas vinte vezes e ainda chora de emoção ao chegar no topo. Foi a primeira trilha que a gente fez de raquete de neve, no inverno, e foi onde ela disse a frase que virou nossa: “tô toda viva”. O refúgio tem 4G, o pessoal chama de refúgio nutella por isso, e dá pra dormir lá com reserva obrigatória. Pra correr, só no verão e só se você já tem pernas de trilha longa.
📍 Refúgio Frei no Google Maps | Reservas de refúgios pelo Club Andino Bariloche, telefone +54 294 442-2266
| Trilha | Distância | Desnível | Nível |
|---|---|---|---|
| Bahía López | 13 km | Suave | Iniciante |
| Circuito Chico | ~27 km (parcial) | Suave | Iniciante |
| Cerro López | 9 a 10 km | 900 m | Intermediário |
| Refúgio Frei | 24 km (ida e volta) | Acentuado do km 6 ao 10 | Avançado |
Se você quer ir além de Bariloche, a gente também já escreveu sobre 10 trilhas inesquecíveis pela Patagônia argentina, incluindo lugares como San Martin de los Andes e El Chaltén, que entram em qualquer roteiro de corredora de montanha.
Dicas de Ouro para Correr em Bariloche
As dicas de ouro para correr em Bariloche se resumem a duas coisas: chegar com antecedência para se aclimatar à altitude e nunca subestimar o clima de montanha. A 770 metros, o ar já pesa diferente do nível do mar, e as trilhas sobem rápido para perto de 1.700 metros, onde o tempo pode virar em vinte minutos.
Reserve 1 ou 2 dias antes da primeira trilha forte só pra andar pela cidade e fazer um trote leve. A 770 metros de altitude já dá pra sentir o ar diferente, e subir direto pro Frei sem aclimatar é receita de dia ruim.
Aclimatar é o primeiro passo de segurança, mas não é o único, e por isso a gente deixou um bloco só sobre como correr em segurança mais pra frente neste guia. Antes dele, vale uma dica que vem do coração: correr acompanhada na Patagônia não é frescura. Foi por isso que a Domi criou a Corre, nossos grupos de corrida só pra mulheres aqui na Patagônia. A gente cuida da logística, do roteiro e do apoio, e você só se preocupa em correr e se emocionar no topo. É a forma de viver tudo isso sem carregar o peso de planejar cada detalhe sozinha, e com a tranquilidade de estar com quem conhece cada pedra dessas trilhas.
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Como Chegar a Bariloche para Correr nas Montanhas
Bariloche tem aeroporto próprio, o Aeroporto Internacional Teniente Luis Candelaria (BRC), a 13 km do centro. De São Paulo dá pra chegar com voo direto ou escala em Buenos Aires, de onde o trecho aéreo leva cerca de 2h20. De carro ou ônibus saindo de Buenos Aires são quase 1.640 km, umas 22 horas de estrada.
A gente mora aqui de motorhome faz tempo, então chega sempre dirigindo pela Ruta 40 e pela Ruta 237, descendo a cordilheira. É um trajeto lindo, mas longo, e no inverno tem trecho com neve. Se você vem do Brasil só pra correr, o voo compensa cada centavo: você dorme em São Paulo e no dia seguinte já está amarrando o tênis com o Lago Nahuel Huapi na frente. Fica a dica, chegue um dia antes da primeira corrida pra dar tempo de aclimatar, como detalhamos nas dicas de ouro. O aeroporto fica a 13 km do centro pela Avenida Bustillo, e do centro até a base do Cerro Catedral, onde saem várias trilhas, são mais 19 km.
Do aeroporto pro centro o táxi ou transfer leva uns 20 minutos. Se você for ficar perto das trilhas do Circuito Chico, já peça pra ir direto, porque voltar do centro todo dia tira tempo de perna. Veja a localização exata em Aeroporto de Bariloche no Google Maps.
Onde Se Hospedar em Bariloche para Ficar Perto das Trilhas
Para correr em Bariloche, as melhores regiões pra se hospedar são o Centro, a Avenida Bustillo (que acompanha o Circuito Chico) e a Villa Catedral. O Centro concentra serviço e ônibus, a Avenida Bustillo coloca você a poucos minutos das trilhas de lago, e a Villa Catedral fica na base do Cerro Catedral, a 19 km do centro, perto das subidas mais sérias.
A gente sempre estaciona o motorhome no estacionamento do Cerro Catedral pra dormir antes das trilhas longas, então conhece bem essa lógica de ficar perto da largada. A Avenida Bustillo é o nosso bairro favorito pra quem corre: ela vai do Km 0, no centro, até o Km 25, no Llao Llao, e quase toda trilha boa de lago sai de algum ponto dela. No Km 25 começa o Circuito Chico, com seus quase 27 km de estrada e mirante de lago a cada curva. E ali no meio do circuito tem o Bar da Patagônia, onde a gente para depois de correr. Reserva é necessária pro salão principal, mas dá pra comprar ficha e tomar a cerveja em qualquer canto com vista.
Pra comer bem perto das trilhas, dois favoritos nossos na Bustillo: o restaurante Cuchara, que a gente pede sempre, e o Bar da Patagônia, no coração do Circuito Chico. Veja a região em Avenida Bustillo no Google Maps e a base das trilhas mais duras em Villa Catedral no Google Maps.
Quem busca silêncio e quer acordar já dentro da floresta nativa escolhe a faixa do Km 18 ao Km 25 da Bustillo. Quem prefere ter farmácia, mercado e rodoviária na esquina fica no Centro e pega ônibus ou aluga bike pra chegar nas trilhas. Não tem escolha errada, tem o que combina com o seu ritmo de viagem.
Roteiro de 3 Dias Correndo em Bariloche
Um bom roteiro de 3 dias pra correr em Bariloche vai do leve ao pesado: dia 1 na Bahía López (13 km), dia 2 no Cerro López (9 a 10 km) e dia 3 no Refúgio Frei (24 km reais). É a mesma sequência que a Domi monta pros grupos, justamente para respeitar a aclimatação que explicamos nas dicas de ouro antes de encarar a trilha mais dura.
Dia 1, Bahía López: comece de manhã, sem pressa, esse é o seu termômetro de altitude. Saia da Avenida Bustillo, onde a maioria fica hospedada, e a largada está logo ali, sem deslocamento longo. Guarde a tarde pra descansar as pernas e fazer compras de trilha. Dia 2, Cerro López: largue cedo, antes das 9h, porque a subida é constante e você quer estar no alto antes do vento bater forte na tarde. Leve algo pra comer no refúgio e desça com calma, que o tempo de descida nas pedras costuma surpreender quem só calculou a subida.
Dia 3 é o grande dia, o Refúgio Frei, e aqui largar cedo não é opcional. São os mesmos 24 km que detalhamos em Trilhas e na seção de segurança: leve água, comida, corta-vento e lanterna de cabeça e bloqueie o dia inteiro pra ele, sem encaixar mais nada depois. Administre o ritmo no começo pra chegar com perna no trecho que cobra de verdade.
Pra fechar com chave de ouro, se sobrar fôlego num quarto dia, corra um trecho do Circuito Chico e pare no Bar da Patagônia. Pontos pra salvar no mapa: Bahía López, Refugio Lopez e Refúgio Frei.
Como Correr com Segurança nas Trilhas de Bariloche
Correr em Bariloche com segurança exige três cuidados: avisar alguém do seu trajeto e horário, sempre levar corta-vento e água mesmo em dia de sol, e respeitar a altitude (com a aclimatação que detalhamos nas dicas de ouro). As trilhas saem de 770 metros no centro e sobem rápido pra perto de 1.700 metros, e a diferença de temperatura entre a base e o mirante pode passar de 10 °C no mesmo dia.
A Domi é resgatista de montanha certificada, então segurança aqui não é papo de folheto. A regra de ouro que ela repete é que a montanha não respeita a previsão do tempo. A gente já viu manhã de céu azul virar tarde de vento e chuva fria em poucas horas, e por isso ela nunca sai pra trilha longa sem corta-vento na mochila, mesmo saindo de regata a 22 °C.
Em trilha longa como o Refúgio Frei, calcule o tempo com folga: 24 km de montanha podem levar 8 horas de verdade, e voltar no escuro muda tudo. Saia cedo, antes das 8h, e leve lanterna de cabeça por garantia. No Frei tem 4G no refúgio, o que ajuda, mas no caminho o sinal some. Se for correr sozinha, conte seu plano pra alguém da pousada e combine um horário de retorno.
Sobre fauna, o risco aqui é baixo, bem diferente de outros cantos da Patagônia, onde a Domi já correu de manhã num lugar em que à tarde apareceram três pumas. Em Bariloche o que você encontra são pica-paus e a sensação de estar correndo dentro de um parque vivo. Ainda assim, leve lixo de volta, não corte caminho fora da trilha e respeite a sinalização. A montanha é a casa dos bichos, a gente é só visita.
Tudo Pronto: Sua Primeira Corrida em Bariloche
Preparar-se para correr em Bariloche é unir três frentes: corpo treinado pra subida e altitude, equipamento certo pra três climas no mesmo dia, e cabeça aberta pra montanha cobrar mais do que o relógio mostra. Acertando essas três, a janela de verão e as trilhas certas fazem o resto.
No treino, priorize subida nas semanas antes da viagem: troque parte do asfalto por ladeira, escada ou esteira inclinada, porque o que cansa aqui não é a distância, é o desnível, são 900 metros concentrados em 9 km no Cerro López. Quem só treina plano no nível do mar sente a perna travar na primeira subida longa. No equipamento, monte a mochila pros três climas do mesmo dia, exatamente a lista que a Domi usa: tênis de trail com grip de verdade, corta-vento impermeável que cabe comprimido, camada térmica leve e água de sobra para os trechos sem reabastecimento que detalhamos em Trilhas. Na mentalidade, aceite desde já que a montanha cobra mais do que o relógio mostra, como explicamos na seção de segurança: largue cedo, administre o ritmo pra chegar com perna no trecho duro e deixe o ego na cidade, aqui andar na subida não é fraqueza, é estratégia.
A gente vive isso o ano todo, de motorhome, com o Pachê dormindo no banco enquanto a Domi treina nas trilhas. Já voltamos de corrida toda viva, já choramos no topo, já erramos a quilometragem e voltamos no escuro. E em nenhum desses dias a gente trocaria correr aqui por correr em qualquer outro lugar do mundo. A Patagônia argentina tem isso: ela cansa, ela assusta um pouco, e ela apaixona pra sempre.
Se você chegou até aqui, o chamado já está aí. Correr em Bariloche não é sobre ser a mais rápida. É sobre estar inteira no meio da montanha, sentindo o vento gelado no mirante depois de uma subida que te custou cada fôlego. E se quiser viver isso com a segurança e a companhia de quem conhece cada pedra dessas trilhas, a Corre está aqui pra te levar. Bora que vamos. Tá puxado, mas vale cada quilômetro.
❓ Perguntas frequentes sobre correr em Bariloche
Qual a melhor época para correr em Bariloche?
Entre dezembro e fevereiro, o verão patagônico. As máximas ficam em torno de 20 °C a 23 °C, as trilhas de altitude já estão sem neve e o sol nasce antes das 6h, o que dá margem para treinos longos pela manhã antes do vento da tarde.
Preciso de experiência prévia para correr trilhas em Bariloche?
Para o Circuito Chico e a Bahía López, que misturam estrada e mirantes, não. Para trilhas como o Refúgio Frei (24 km reais) e o Cerro López (900 m de desnível), sim: são percursos longos, técnicos e com trechos de pedra solta. O ideal é começar pelas mais leves e ir subindo.
É seguro correr sozinha em Bariloche?
As trilhas mais movimentadas, como Cerro López e Frei, costumam ter outros caminhantes durante o verão, mas o clima muda rápido e parte do trajeto fica sem sinal de celular. Avise alguém do seu roteiro, leve agasalho mesmo em dia de sol e, se possível, corra acompanhada.
Quanto custa correr em Bariloche?
Correr nas trilhas públicas não tem custo de entrada. O que pesa no orçamento é hospedagem, transporte até as bases das trilhas e equipamento. O Cerro Catedral, a 19 km do centro, é o ponto de partida de várias trilhas e tem acesso por ônibus de linha e táxi.
Quais trilhas de Bariloche são melhores para trail running?
As favoritas para correr são o Circuito Chico (cerca de 27 km de asfalto e mirantes), a Bahía López (13 km com lago escondido), o Cerro López (9 a 10 km, 900 m de desnível) e o Refúgio Frei (24 km ida e volta), essa última só para corredoras já experientes.
Corre — corrida feminina na Patagônia
Grupos só de mulheres para correr as trilhas da Patagônia em segurança, conduzidos pela Domi (ultramaratonista). Não é competição: é viver a montanha, ganhar confiança e dividir a estrada com mulheres que também buscam aventura.



